segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

sábado, 24 de agosto de 2013

luz acesa
como se fosse e nem vai chegar ninguém
a saudade é uma porra mesmo
eternamente acesa

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

rogar

meus olhos te cercam
e se acercam dos teus
estes tão pequenos e saborosos olhos
adornados por transparentes auxiliares
que te anulam o defeito
tornando-lhe capaz de enchergar
mais para lá de teus acurtinados cabelos escuros

e penso, quão bonito é ver você ver
e sonho teus olhos enquanto ainda não vejo

sussurro as pontas dos dedos
soletrando cada detalhe do abismo que é teu rosto
fungadores tragando e expulsando ares desordenados
a testa se ilumina
a língua salta
e a boca cheia de dentes e palavras
se reduz em monossílabas das quais quero seguir rogando

sábado, 13 de julho de 2013

esparramar

repouse calmo teu braço aqui
lance tranquilo teu papo no meu ouvido
que é sensível ao estalo de lábios
que encharca os meus lábios
recolha e envolva minhas mãos no teu colo
e deslize teus pés em minha perna
e adormeça pra só amanhã despertar
deste sonho tão bom que é estar e estar, estar, estar...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

esporro

noites em que
                           a todo custo
    não durmo,
    me masturbo.

que da minha insônia
                           faço gozo
                           esporro

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


agora
que aprendi amarrar os sapatos
procuro casa
e sandálias
procuro em mim 
um único motivo que me realmente mova

terça-feira, 13 de novembro de 2012

trouxe-mouxe


13.43h, trouxe-mouxe
Esqueci das horas e ela de mim

Estive quinta-feira, cheguei dobrar a esquina cotovelo
Acabei suspenso

Lhe deixei algumas cartas no correio esta tarde, já me desculpo pela pressa escrita
Tem café na geladeira!

Aurora Borealis


Anuviou, esqueci das horas e ela de mim
3.43h, trouxe-mouxe

Acabei suspenso
Estive quarta-feira, cheguei dobrar a esquina cotovelo

Tem café na geladeira.
Te deixei umas cartas no correio, já me desculpo pela pressa escrita

Aurora Borealis

terça-feira, 30 de outubro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

noites em que o silêncio
são troncos
                                               que tombam
                                               folhas que bailam

                                               telhados arrancados

rajadas de vento
que adentram a janela e batem na porta do meu quarto

Olá, você está?

susto na noite

tumulto

entre
         a noite e o depois

o ônibus segue seco e duro
sem quem guie
sem quem cobre
vazio

no vidro
riscos
palavras
cartas
pegadas
a minha cara quase apagada

algumas memórias merecem um túmulo
fundo
           palmas
                       e mais palmas
                       no mais absoluto

profundo
                       escuro
                         
                                                 estou cansado de fantasmas

domingo, 16 de setembro de 2012

funeral

Um banana. Batuta? que nada, ô. Bastou, o pai a mãe: tá! O afroxar do cabresto, num sabe? Imagine, o bicho saiu em disparada, galopando, babando e relinchando. Primeiro pela praça, feito como cão que cheira e mija, demarca. Uma graça. Depois pelas ruas de ladrilho, tropeçando caindo ralando marcando de sangue todo caminho. Até que deu na rua do seu Lazaro. Naquela construção, isso mesmo. Pois bem, meu amigo. Invadiu. Subiu até o topo, deu na laje. Pulou pulou e pulou, pulou mais um pouco, e como pulava e gargalhava, sorria entre soluços. Riu pra praça lá embaixo, acenou pro pai e pra mãe - pra mãe que não sorria, mas que respondia acenando -.
A vida é mesmo pouco, muito, muito pouco. Vejá só. O bicho sei lá como é que se enroscou tropeçou, mas caiu, é... caiu de papo, estirado, durinho da silva numa ponta de ferro, que deu no papo do bicho, abrindo caminho, dando na testa, fodendo-lhe o rosto todinho.

Ah mas se isso num é lá jeito de morrer, morreu, taí encaixotado o bichinho menino.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

nota

preciso falar mais
espremer o minímo, sabe
me mover

caminhar
pedalar
preciso caminhar, ando depressa demais
calcanhares doloridos demais

- pindurado ao telefone rabisco um papel inteirinho
mancho as sombras que alguma coisa faz
com um amarelo calmo branquinho
conforme rabisco surgi desforme formas, acho tudo bonito
por instantes penso que devo voltar a desenhar

tudo esvai -

troquei a lâmpada do quarto faz um tempo
não suporto luz fraca
joguei fora muita coisa daquela última gaveta
logo estará entupida de novo
tenho tido intermináveis dores de cabeça
acho que é o tal do último dente nascendo
vou ao dentista no sábado

por enquanto sigo pingando trinta gotas e tomando
neste começo de semana tenho muito trabalho
ando meio zumbi

meu filme tá parado


preciso desligar, tenho que dormir

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

         decolar
         voar
aterrizar aterrissar
        pousar

         e vir e ver

amar o que viu
         amar que veio
viver quem vem
         ver quem vem
  tocar o que chegou
sorrir a boca a língua o dente
o céu a campainha
    o pau a buceta
    os pelos todos
 os cheiros todos
    o corpo a alma
pescoço mãos e pés
     sorrir tudo

são tantos dedos olhos narinas

e te reconheço
voz
rosto tronco corpo
nome de batismo
pai mãe irmãos
teus dentes teu sorriso

te reconheço
e me assusto com isso

nossa inteligência
esta nossa ardência
       esta nossa
       que é nossa
       toda nossa
   vontade coragem
                 de viver
  e venha
  chegue
              vamos
  chegue logo

  venha logo
                        meu amor

(Ao som de Seu Jorge & Almaz - Errare Humanum Est)

sábado, 21 de julho de 2012

                                                                                  para o amigo, Tiago Urizze

se nesta falta
    me flauta tudo que me enfarta
se não há Fá Rê Ga Bru Jô

     tudo lavado, embaçado
a vista um estilhaço
        coração um abismo
trato logo de ligar:

— Tiago, me ajuda cara, tá foda, fodinha.
soube esta manhã que daria
gozado saber
daquilo que a pouco
             não sabia