você deixou
a luz
acesa
e eu
não apaguei
terça-feira, 30 de outubro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
pó
noites em que o silêncio
são troncos
que tombam
folhas que bailam
telhados arrancados
rajadas de vento
que adentram a janela e batem na porta do meu quarto
— Olá, você está?
são troncos
que tombam
folhas que bailam
telhados arrancados
rajadas de vento
que adentram a janela e batem na porta do meu quarto
— Olá, você está?
susto na noite
tumulto
entre
a noite e o depois
o ônibus segue seco e duro
sem quem guie
sem quem cobre
vazio
no vidro
riscos
palavras
cartas
pegadas
a minha cara quase apagada
algumas memórias merecem um túmulo
fundo
palmas
e mais palmas
no mais absoluto
profundo
escuro
estou cansado de fantasmas
entre
a noite e o depois
o ônibus segue seco e duro
sem quem guie
sem quem cobre
vazio
no vidro
riscos
palavras
cartas
pegadas
a minha cara quase apagada
algumas memórias merecem um túmulo
fundo
palmas
e mais palmas
no mais absoluto
profundo
escuro
estou cansado de fantasmas
domingo, 16 de setembro de 2012
funeral
— Um banana. Batuta? que nada, ô. Bastou, o pai a mãe: tá! O afroxar do cabresto,
num sabe? Imagine, o bicho saiu em disparada, galopando, babando e relinchando.
Primeiro pela praça, feito como cão que cheira e mija, demarca. Uma graça. Depois
pelas ruas de ladrilho, tropeçando caindo ralando marcando de sangue todo
caminho. Até que deu na rua do seu Lazaro. Naquela construção, isso mesmo. Pois
bem, meu amigo. Invadiu. Subiu até o topo, deu na laje. Pulou pulou e pulou,
pulou mais um pouco, e como pulava e gargalhava, sorria entre soluços. Riu pra
praça lá embaixo, acenou pro pai e pra mãe - pra mãe que não sorria, mas que
respondia acenando -.
A vida é mesmo pouco, muito, muito pouco. Vejá só. O bicho sei lá como é que se enroscou tropeçou, mas caiu, é... caiu de papo, estirado, durinho da silva numa ponta de ferro, que deu no papo do bicho, abrindo caminho, dando na testa, fodendo-lhe o rosto todinho.
Ah mas se isso num é lá jeito de morrer, morreu, taí encaixotado o bichinho menino.
A vida é mesmo pouco, muito, muito pouco. Vejá só. O bicho sei lá como é que se enroscou tropeçou, mas caiu, é... caiu de papo, estirado, durinho da silva numa ponta de ferro, que deu no papo do bicho, abrindo caminho, dando na testa, fodendo-lhe o rosto todinho.
Ah mas se isso num é lá jeito de morrer, morreu, taí encaixotado o bichinho menino.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
nota
preciso falar mais
espremer o minímo, sabe
me mover
caminhar
pedalar
preciso caminhar, ando depressa demais
calcanhares doloridos demais
- pindurado ao telefone rabisco um papel inteirinho
mancho as sombras que alguma coisa faz
com um amarelo calmo branquinho
conforme rabisco surgi desforme formas, acho tudo bonito
por instantes penso que devo voltar a desenhar
tudo esvai -
troquei a lâmpada do quarto faz um tempo
não suporto luz fraca
joguei fora muita coisa daquela última gaveta
logo estará entupida de novo
tenho tido intermináveis dores de cabeça
acho que é o tal do último dente nascendo
vou ao dentista no sábado
por enquanto sigo pingando trinta gotas e tomando
neste começo de semana tenho muito trabalho
ando meio zumbi
meu filme tá parado
preciso desligar, tenho que dormir
espremer o minímo, sabe
me mover
caminhar
pedalar
preciso caminhar, ando depressa demais
calcanhares doloridos demais
- pindurado ao telefone rabisco um papel inteirinho
mancho as sombras que alguma coisa faz
com um amarelo calmo branquinho
conforme rabisco surgi desforme formas, acho tudo bonito
por instantes penso que devo voltar a desenhar
tudo esvai -
troquei a lâmpada do quarto faz um tempo
não suporto luz fraca
joguei fora muita coisa daquela última gaveta
logo estará entupida de novo
tenho tido intermináveis dores de cabeça
acho que é o tal do último dente nascendo
vou ao dentista no sábado
por enquanto sigo pingando trinta gotas e tomando
neste começo de semana tenho muito trabalho
ando meio zumbi
meu filme tá parado
preciso desligar, tenho que dormir
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
decolar
voar
aterrizar aterrissar
pousar
e vir e ver
amar o que viu
amar que veio
viver quem vem
ver quem vem
tocar o que chegou
sorrir a boca a língua o dente
o céu a campainha
o pau a buceta
os pelos todos
os cheiros todos
o corpo a alma
pescoço mãos e pés
sorrir tudo
são tantos dedos olhos narinas
e te reconheço
voz
rosto tronco corpo
nome de batismo
pai mãe irmãos
teus dentes teu sorriso
te reconheço
e me assusto com isso
nossa inteligência
esta nossa ardência
esta nossa
que é nossa
toda nossa
vontade coragem
de viver
e venha
chegue
vamos
chegue logo
venha logo
meu amor
(Ao som de Seu Jorge & Almaz - Errare Humanum Est)
voar
aterrizar aterrissar
pousar
e vir e ver
amar o que viu
amar que veio
viver quem vem
ver quem vem
tocar o que chegou
sorrir a boca a língua o dente
o céu a campainha
o pau a buceta
os pelos todos
os cheiros todos
o corpo a alma
pescoço mãos e pés
sorrir tudo
são tantos dedos olhos narinas
e te reconheço
voz
rosto tronco corpo
nome de batismo
pai mãe irmãos
teus dentes teu sorriso
te reconheço
e me assusto com isso
nossa inteligência
esta nossa ardência
esta nossa
que é nossa
toda nossa
vontade coragem
de viver
e venha
chegue
vamos
chegue logo
venha logo
meu amor
(Ao som de Seu Jorge & Almaz - Errare Humanum Est)
sábado, 21 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
de alma encharcada
rua inclinada
a chuva cai
escorre escorre sentada
como se quisesse
se fizesse
e pudesse
e querer
nada mais é que querer, e nada
nada mais
que eu caia
e escorra
a minha bunda sentada
e nádegas nádegas
pela enxurrada
feliz de calças encharcadas (lavada)
a chuva cai
escorre escorre sentada
como se quisesse
se fizesse
e pudesse
e querer
nada mais é que querer, e nada
nada mais
que eu caia
e escorra
a minha bunda sentada
e nádegas nádegas
pela enxurrada
feliz de calças encharcadas (lavada)
segunda-feira, 9 de julho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
esquece a
casa a casca o casco o destelhamento
o mofo que toma o canto esquerdo do teto do quarto
a secreção
atrasado, esquece os sapatos (sai descalço)
esquece o passo
o tempo
esquece o próprio rosto
sem pó nem café cerveja vinho
sem janta
sem banho
a pele que descama
que se desfaz e arranha em contato com qualquer superfície áspera
esquece os dias
o sol
o céu
a noite
a namorada - namorada? -
a palavra
o sexo
rosas num copo d'água
esquece a conta
esquece o mês
esquece esquece
o mofo que toma o canto esquerdo do teto do quarto
a secreção
atrasado, esquece os sapatos (sai descalço)
esquece o passo
o tempo
esquece o próprio rosto
sem pó nem café cerveja vinho
sem janta
sem banho
a pele que descama
que se desfaz e arranha em contato com qualquer superfície áspera
esquece os dias
o sol
o céu
a noite
a namorada - namorada? -
a palavra
o sexo
rosas num copo d'água
esquece a conta
esquece o mês
esquece esquece
esquece
não alimenta o peixinho o gatinho o cachorro
as baratas rodopiam pela casa
tudo as traças
não alimenta o peixinho o gatinho o cachorro
as baratas rodopiam pela casa
tudo as traças
sábado, 23 de junho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Figueiredo, constelação de Lúbia
de nada servem os mapas
sim, de que servem os mapas?
bússolas
pegadas
migalhas de pão
de que servem os amigos
uma mão
de que serve?
o ofício o dom o amor o vício a guerra o tom
e esta solidão
este tudo que não
nada vezes não vejo nada
e nado sem mapa
sem pés de pato
sem mim
sem quase
semi quase
semi enfarte
semi vivo
morto
tudo meio
estou morto
tudo tudo tudo tudo
tão quase tão quanto tão chato tão santo
não, os mapas nunca me servirão de nada
os mapas eu rasgo
as Três Marias eu não
as Sete Irmãs não
Vênus eu jamais
Leo Hidra Andrômeda Órion Escorpião Touro Peixes eu nunca
estrelas, um bicho luminoso, estrelas
um bicho morto
constelações de uma luz assim tão grandiosa e numerosa
estrelas mortas
de que me servem as estrelas?
estrelas
de que me servem?
abro o caderno todo o domingo
assim, imaginando encontrar
encontrar o teu caminho
um caminho que dê em seu caminho
de que o caderno de domingo
bata os nossos signos
e diga:
vá, vá que dará
e eu iria flecha
e eu iria seta
e eu iria
pai, de que me servem estas estrelas, mãe?
- ninguém responde, concluo eu, afoito -
nada, nada além da certeza de quão grande é
o espaço a imensidão essa solidão
o uno o verso
e de quão grão sou
mas ainda sim, eu rasgo todos mapas
e acredito que te encontro no caminho
vivo
vida.
(Ao som de Tortoise - A simple way to go faster than light that does not work)
para ouvir o poema em áudio e vídeo:
sim, de que servem os mapas?
bússolas
pegadas
migalhas de pão
de que servem os amigos
uma mão
de que serve?
o ofício o dom o amor o vício a guerra o tom
e esta solidão
este tudo que não
nada vezes não vejo nada
e nado sem mapa
sem pés de pato
sem mim
sem quase
semi quase
semi enfarte
semi vivo
morto
tudo meio
estou morto
tudo tudo tudo tudo
tão quase tão quanto tão chato tão santo
não, os mapas nunca me servirão de nada
os mapas eu rasgo
as Três Marias eu não
as Sete Irmãs não
Vênus eu jamais
Leo Hidra Andrômeda Órion Escorpião Touro Peixes eu nunca
estrelas, um bicho luminoso, estrelas
um bicho morto
constelações de uma luz assim tão grandiosa e numerosa
estrelas mortas
de que me servem as estrelas?
estrelas
de que me servem?
abro o caderno todo o domingo
assim, imaginando encontrar
encontrar o teu caminho
um caminho que dê em seu caminho
de que o caderno de domingo
bata os nossos signos
e diga:
vá, vá que dará
e eu iria flecha
e eu iria seta
e eu iria
pai, de que me servem estas estrelas, mãe?
- ninguém responde, concluo eu, afoito -
nada, nada além da certeza de quão grande é
o espaço a imensidão essa solidão
o uno o verso
e de quão grão sou
mas ainda sim, eu rasgo todos mapas
e acredito que te encontro no caminho
vivo
vida.
(Ao som de Tortoise - A simple way to go faster than light that does not work)
para ouvir o poema em áudio e vídeo:
domingo, 3 de junho de 2012
quase
sumo
úmido
disparo curtos pensamentos pelo quarto
rajadas
sumo
seco
desço
fundo
as escadas de casa
pensamento lento
sem fundo
sem sumo
abro a geladeira e me esqueço de tudo
úmido
disparo curtos pensamentos pelo quarto
rajadas
sumo
seco
desço
fundo
as escadas de casa
pensamento lento
sem fundo
sem sumo
abro a geladeira e me esqueço de tudo
domingo, 27 de maio de 2012
Esmaecido
num umbigo manhã
vem dela a sombra que sopra e assopra
de sorriso em sorriso amarelo encardido
somova-se ditos
vinha ele correndo e curvando as calçadas
e aponta lá o passo do trouxa, diziam
"E veja lá, o homem de h's, numa procura do alcance par"
corre pula berra o cabrito menino, sujo risonho, moleque ontem
por certo vivia questionar
aperto braço beijo dado
pulava por saltos altos
como quem pula de braços a abraçar céu e ar
eu chorava espera, eu caia calmaria, eu dizia soprar
"Venha cá meu nego, ponha-se deitado no quente dos meus braços"
dizia o passado mulher a quem me referia navegar em vigor
vem dela a sombra que sopra e assopra
de sorriso em sorriso amarelo encardido
somova-se ditos
vinha ele correndo e curvando as calçadas
e aponta lá o passo do trouxa, diziam
"E veja lá, o homem de h's, numa procura do alcance par"
corre pula berra o cabrito menino, sujo risonho, moleque ontem
por certo vivia questionar
aperto braço beijo dado
pulava por saltos altos
como quem pula de braços a abraçar céu e ar
eu chorava espera, eu caia calmaria, eu dizia soprar
"Venha cá meu nego, ponha-se deitado no quente dos meus braços"
dizia o passado mulher a quem me referia navegar em vigor
sexta-feira, 4 de maio de 2012
o que pra
ti isso significa?
mudança de
estação ou
a vida
dizendo não?
é preciso permanecer atento
alerta de que a vida
anda
e perna apenas
passeia
e nos pés todo o pesar
o coração só tem o trabalho de bater
e doer quando há dor
caso ele pare
paro eu para sempre
pra você
mudança de
estação ou
a vida
dizendo não?
é preciso permanecer atento
alerta de que a vida
anda
e perna apenas
passeia
e nos pés todo o pesar
o coração só tem o trabalho de bater
e doer quando há dor
caso ele pare
paro eu para sempre
pra você
pára apenas alguns minutos dias meses ano
não há para sempre
do outro pra nós
o pra sempre é sempre nosso
esse eterno fardo de carregar
os nossos
próprios sacos e ovários
não há para sempre
do outro pra nós
o pra sempre é sempre nosso
esse eterno fardo de carregar
os nossos
próprios sacos e ovários
segunda-feira, 30 de abril de 2012
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