para o amigo, Tiago Urizze
se nesta falta
me flauta tudo que me enfarta
se não há Fá Rê Ga Bru Jô
tudo lavado, embaçado
a vista um estilhaço
coração um abismo
trato logo de ligar:
— Tiago, me ajuda cara, tá foda, fodinha.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
de alma encharcada
rua inclinada
a chuva cai
escorre escorre sentada
como se quisesse
se fizesse
e pudesse
e querer
nada mais é que querer, e nada
nada mais
que eu caia
e escorra
a minha bunda sentada
e nádegas nádegas
pela enxurrada
feliz de calças encharcadas (lavada)
a chuva cai
escorre escorre sentada
como se quisesse
se fizesse
e pudesse
e querer
nada mais é que querer, e nada
nada mais
que eu caia
e escorra
a minha bunda sentada
e nádegas nádegas
pela enxurrada
feliz de calças encharcadas (lavada)
segunda-feira, 9 de julho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
esquece a
casa a casca o casco o destelhamento
o mofo que toma o canto esquerdo do teto do quarto
a secreção
atrasado, esquece os sapatos (sai descalço)
esquece o passo
o tempo
esquece o próprio rosto
sem pó nem café cerveja vinho
sem janta
sem banho
a pele que descama
que se desfaz e arranha em contato com qualquer superfície áspera
esquece os dias
o sol
o céu
a noite
a namorada - namorada? -
a palavra
o sexo
rosas num copo d'água
esquece a conta
esquece o mês
esquece esquece
o mofo que toma o canto esquerdo do teto do quarto
a secreção
atrasado, esquece os sapatos (sai descalço)
esquece o passo
o tempo
esquece o próprio rosto
sem pó nem café cerveja vinho
sem janta
sem banho
a pele que descama
que se desfaz e arranha em contato com qualquer superfície áspera
esquece os dias
o sol
o céu
a noite
a namorada - namorada? -
a palavra
o sexo
rosas num copo d'água
esquece a conta
esquece o mês
esquece esquece
esquece
não alimenta o peixinho o gatinho o cachorro
as baratas rodopiam pela casa
tudo as traças
não alimenta o peixinho o gatinho o cachorro
as baratas rodopiam pela casa
tudo as traças
sábado, 23 de junho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Figueiredo, constelação de Lúbia
de nada servem os mapas
sim, de que servem os mapas?
bússolas
pegadas
migalhas de pão
de que servem os amigos
uma mão
de que serve?
o ofício o dom o amor o vício a guerra o tom
e esta solidão
este tudo que não
nada vezes não vejo nada
e nado sem mapa
sem pés de pato
sem mim
sem quase
semi quase
semi enfarte
semi vivo
morto
tudo meio
estou morto
tudo tudo tudo tudo
tão quase tão quanto tão chato tão santo
não, os mapas nunca me servirão de nada
os mapas eu rasgo
as Três Marias eu não
as Sete Irmãs não
Vênus eu jamais
Leo Hidra Andrômeda Órion Escorpião Touro Peixes eu nunca
estrelas, um bicho luminoso, estrelas
um bicho morto
constelações de uma luz assim tão grandiosa e numerosa
estrelas mortas
de que me servem as estrelas?
estrelas
de que me servem?
abro o caderno todo o domingo
assim, imaginando encontrar
encontrar o teu caminho
um caminho que dê em seu caminho
de que o caderno de domingo
bata os nossos signos
e diga:
vá, vá que dará
e eu iria flecha
e eu iria seta
e eu iria
pai, de que me servem estas estrelas, mãe?
- ninguém responde, concluo eu, afoito -
nada, nada além da certeza de quão grande é
o espaço a imensidão essa solidão
o uno o verso
e de quão grão sou
mas ainda sim, eu rasgo todos mapas
e acredito que te encontro no caminho
vivo
vida.
(Ao som de Tortoise - A simple way to go faster than light that does not work)
para ouvir o poema em áudio e vídeo:
sim, de que servem os mapas?
bússolas
pegadas
migalhas de pão
de que servem os amigos
uma mão
de que serve?
o ofício o dom o amor o vício a guerra o tom
e esta solidão
este tudo que não
nada vezes não vejo nada
e nado sem mapa
sem pés de pato
sem mim
sem quase
semi quase
semi enfarte
semi vivo
morto
tudo meio
estou morto
tudo tudo tudo tudo
tão quase tão quanto tão chato tão santo
não, os mapas nunca me servirão de nada
os mapas eu rasgo
as Três Marias eu não
as Sete Irmãs não
Vênus eu jamais
Leo Hidra Andrômeda Órion Escorpião Touro Peixes eu nunca
estrelas, um bicho luminoso, estrelas
um bicho morto
constelações de uma luz assim tão grandiosa e numerosa
estrelas mortas
de que me servem as estrelas?
estrelas
de que me servem?
abro o caderno todo o domingo
assim, imaginando encontrar
encontrar o teu caminho
um caminho que dê em seu caminho
de que o caderno de domingo
bata os nossos signos
e diga:
vá, vá que dará
e eu iria flecha
e eu iria seta
e eu iria
pai, de que me servem estas estrelas, mãe?
- ninguém responde, concluo eu, afoito -
nada, nada além da certeza de quão grande é
o espaço a imensidão essa solidão
o uno o verso
e de quão grão sou
mas ainda sim, eu rasgo todos mapas
e acredito que te encontro no caminho
vivo
vida.
(Ao som de Tortoise - A simple way to go faster than light that does not work)
para ouvir o poema em áudio e vídeo:
domingo, 3 de junho de 2012
quase
sumo
úmido
disparo curtos pensamentos pelo quarto
rajadas
sumo
seco
desço
fundo
as escadas de casa
pensamento lento
sem fundo
sem sumo
abro a geladeira e me esqueço de tudo
úmido
disparo curtos pensamentos pelo quarto
rajadas
sumo
seco
desço
fundo
as escadas de casa
pensamento lento
sem fundo
sem sumo
abro a geladeira e me esqueço de tudo
domingo, 27 de maio de 2012
Esmaecido
num umbigo manhã
vem dela a sombra que sopra e assopra
de sorriso em sorriso amarelo encardido
somova-se ditos
vinha ele correndo e curvando as calçadas
e aponta lá o passo do trouxa, diziam
"E veja lá, o homem de h's, numa procura do alcance par"
corre pula berra o cabrito menino, sujo risonho, moleque ontem
por certo vivia questionar
aperto braço beijo dado
pulava por saltos altos
como quem pula de braços a abraçar céu e ar
eu chorava espera, eu caia calmaria, eu dizia soprar
"Venha cá meu nego, ponha-se deitado no quente dos meus braços"
dizia o passado mulher a quem me referia navegar em vigor
vem dela a sombra que sopra e assopra
de sorriso em sorriso amarelo encardido
somova-se ditos
vinha ele correndo e curvando as calçadas
e aponta lá o passo do trouxa, diziam
"E veja lá, o homem de h's, numa procura do alcance par"
corre pula berra o cabrito menino, sujo risonho, moleque ontem
por certo vivia questionar
aperto braço beijo dado
pulava por saltos altos
como quem pula de braços a abraçar céu e ar
eu chorava espera, eu caia calmaria, eu dizia soprar
"Venha cá meu nego, ponha-se deitado no quente dos meus braços"
dizia o passado mulher a quem me referia navegar em vigor
sexta-feira, 4 de maio de 2012
o que pra
ti isso significa?
mudança de
estação ou
a vida
dizendo não?
é preciso permanecer atento
alerta de que a vida
anda
e perna apenas
passeia
e nos pés todo o pesar
o coração só tem o trabalho de bater
e doer quando há dor
caso ele pare
paro eu para sempre
pra você
mudança de
estação ou
a vida
dizendo não?
é preciso permanecer atento
alerta de que a vida
anda
e perna apenas
passeia
e nos pés todo o pesar
o coração só tem o trabalho de bater
e doer quando há dor
caso ele pare
paro eu para sempre
pra você
pára apenas alguns minutos dias meses ano
não há para sempre
do outro pra nós
o pra sempre é sempre nosso
esse eterno fardo de carregar
os nossos
próprios sacos e ovários
não há para sempre
do outro pra nós
o pra sempre é sempre nosso
esse eterno fardo de carregar
os nossos
próprios sacos e ovários
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
dedicado
— sabe mãe
dói aqui
há meses
não sai sol
dor sem sol
dor sem sal
sem língua, sabe
uma íngua, não sabe
uma casquinha
uma coceirinha
uma ferida
uma mentirinha, sabe?
— uma vida, menino.
dói aqui
há meses
não sai sol
dor sem sol
dor sem sal
sem língua, sabe
uma íngua, não sabe
uma casquinha
uma coceirinha
uma ferida
uma mentirinha, sabe?
— uma vida, menino.
sábado, 17 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
desdenho
desce e sobe
feito gesto
um novo jeito
obsceno
de
observar
o teu plano verso
avesso
do cheiro
que absolutamente
não me esqueço
o cheiro
do teu cheiro
feito gesto
um novo jeito
obsceno
de
observar
o teu plano verso
avesso
do cheiro
que absolutamente
não me esqueço
o cheiro
do teu cheiro
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